Книга A Morte dos Cardeais Davilmar Santos

A Morte dos Cardeais

Автор: Davilmar Santos
Език: Португалски език
Корици: С меки корици
Издател: Independently published
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Vivemos um tempo curioso. Nunca houve tanta informação circulando, tanta tecnologia prometendo confo...

Информация за книгата

Автор
Език
Португалски език
Корици
Книга - С меки корици
Издадена
2026
страници
148
EAN
9798265350428
Enbook ID
52771612
Издател
Теглоt
155
Размери
127 x 203 x 8

Пълно описание

Vivemos um tempo curioso. Nunca houve tanta informação circulando, tanta tecnologia prometendo conforto, tanta gente falando ao mesmo tempo - e talvez nunca tenha sido tão difícil escutar alguma coisa que realmente permaneça. O mundo moderno corre com uma ansiedade quase religiosa em direção ao futuro, enquanto o presente vai sendo consumido discretamente diante dos nossos olhos.

As crônicas reunidas em A Morte dos Cardeais nasceram justamente desse espanto.

Espanto diante de um homem que aperta um botão de pedestre sem saber que ele não está conectado a nada. Diante de consumidores emocionados numa loja sem caixa registradora. Diante de algoritmos que sabem o que desejamos antes que nós mesmos descubramos. Diante de um planeta sufocado por objetos descartáveis produzidos para durar séculos. Diante da estranha modernidade líquida que dissolve relações, certezas, afetos e até o silêncio.

Mas também há espaço aqui para os pequenos milagres cotidianos que ainda insistem em sobreviver ao barulho do mundo: o pão de queijo ao lado do café quente, o vinil girando devagar, o samba de terreiro ecoando no Brooklyn, a cozinha da avó, o gesto simples que salva um dia ruim, uma conversa de botequim sobre tatuzinhos clonados pela natureza sem jamais terem ouvido falar em engenharia genética.

Estas crônicas não pretendem oferecer respostas definitivas. Desconfio cada vez mais delas. Talvez porque o nosso tempo já esteja saturado de gente excessivamente certa sobre tudo. O que tento fazer aqui é apenas observar. Parar alguns minutos diante do caos moderno e perguntar, com alguma ironia e certa perplexidade, o que exatamente estamos fazendo com a vida.

Entre inteligência artificial, cardeais mortos caindo do céu envenenados por agrotóxicos, turismo moderno, Dostoiévski, plásticos eternos, futuros improváveis e amores que mudam devagar, existe um fio invisível ligando todos estes textos: a tentativa de compreender o homem contemporâneo - esse sujeito permanentemente cansado, hiper conectado, ansioso, cheio de certezas digitais e cada vez mais distante de si mesmo.

"A Morte dos Cardeais" não fala sobre religião, conclaves ou corredores silenciosos do Vaticano. Fala sobre pássaros caindo mortos do céu sem que ninguém perceba imediatamente o tamanho da tragédia. Fala sobre venenos invisíveis, sobre o preço silencioso do progresso e sobre a estranha capacidade humana de normalizar aquilo que deveria nos horrorizar.

No fundo, talvez todas estas crônicas falem da mesma coisa: da dificuldade humana de lidar com as consequências da própria modernidade e do velho desejo - profundamente humano - de encontrar algum sentido no breve intervalo entre um café e outro enquanto o mundo continua acontecendo lá fora.