As pessoas que constituem comunidades eclesiais de base, enquanto sujeitos da cultura popular brasileira, mantęm sua tradicional devoçăo. Nela está um núcleo de sentido que preserva o espaço mítico da religiăo com sua temporalidade sagrada, a complexa família dos santos do catolicismo, os valores morais e as relaçőes solidárias. Ali, elementos tradicionais alimentam vitalmente as atitudes libertárias dos membros das CEBs. Com esse núcleo de sentido vital e dinamizador, a devoçăo persiste na fronteira com a teologia da libertaçăo porque é através da religiăo que estes sujeitos continuamente buscam dar sentido ŕ vida e ao mundo. Com seu imaginário que opera no interior da cultura popular, e contando com recursos como as indefiniçőes, ambiguidades e ambivalęncias, compőem e recompőem continuamente sua compreensăo através da bricolagem de signos, imagens e conceitos. Isso lhes permite manter Nossa Senhora numa relaçăo de máxima proximidade e como uma quase-deusa. Assim, entre o espaço mítico ou sagrado e a realidade histórica há uma dinâmica complementaçăo. Apropriada por esse dinamismo, a teologia da libertaçăo traz uma importante contribuiçăo.