O livro explora as contradições fundamentais da civilização moderna na era dos dados e da inteligência artificial. Analisa o processo de formação de uma sociedade de mercado, o desenvolvimento do capital, do trabalho, da tecnologia e do poder moderno como motores de uma prosperidade material sem precedentes para a humanidade. No entanto, a par do crescimento económico e do progresso tecnológico, a sociedade moderna enfrenta simultaneamente o agravamento das desigualdades, as crises ecológicas, a alienação do trabalho, a decadência da confiança social e o risco de os seres humanos serem reduzidos a dados no sistema tecnocrático. Através de quatro capítulos principais, o livro mostra que os mercados, a tecnologia e o crescimento não podem continuar a ser tratados como fins em si mesmos. A justiça realista é reposicionada como uma condição fundamental para salvaguardar a liberdade, a dignidade e o futuro da vida no século XXI. A obra aponta para uma nova perceção do desenvolvimento, em que a economia e a tecnologia devem servir a capacidade humana de viver, em vez de transformar os seres humanos em veículos para o funcionamento infinito do poder, dos dados e do crescimento.