Há uma geração que cresceu sem chão sob os pés.
Os nascidos depois do ano 2000 herdaram um mundo veloz demais para deitar raízes. E a fragilidade que sentem - a ansiedade, o cansaço, a solidão - não é fraqueza de caráter nem falta de esforço: é a marca de um desenraizamento que ninguém lhes explicou.
Este livro dá nome a esse fenômeno - o desterro espaço-temporal - e o examina com o rigor de uma tradição raramente reunida: Simone Weil, Hartmut Rosa, Émile Durkheim, Georg Simmel, Robert Putnam. Não a partir de opiniões, mas lendo os dados oficiais de quatro países - Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha e Brasil - pelos conceitos dessa tradição.
O que você vai encontrar:
Como a aceleração social encurta o presente e rouba o tempo de criar vínculos
Por que a solidão juvenil virou questão de Estado em quatro países
Como a perda do lugar partilhado enfraquece a própria possibilidade do mundo comum
Por que a precariedade do trabalho impede a raiz da profissão e adia a vida adulta
O que Hartmut Rosa chama de ressonância - e por que a coorte mais jovem tem tanta dificuldade de alcançá-la
Cada capítulo mostra que o mal-estar da geração mais jovem não é um problema individual, mas um fato social - com uma assinatura inconfundível: são sempre as meninas e as mulheres jovens as mais atingidas.
Mas este não é um livro pessimista. Reconhecer o desterro é o primeiro passo para superá-lo. O capítulo final propõe quatro âncoras concretas do reenraizamento - tempo protegido, lugar recuperado, instituições lentas, vínculos densos - e mostra as políticas públicas que já começaram a respondê-lo, do Ministério da Solidão britânico às ruas escolares europeias.
Um diagnóstico lúcido e uma esperança fundamentada sobre a geração que herdou a velocidade - e sobre como devolver-lhe a raiz.