A análise psicoforense do eu, o psicólogo criminal Msc. Mário Wilson desvenda a arquitetura oculta da mente, demonstrando que a tão celebrada racionalidade humana é, frequentemente, refém de engrenagens biológicas ancestrais. Rompendo com o misticismo e o conformismo sociológico, a obra propõe um mapeamento neuroanatômico inédito do comportamento a partir da teoria da poligestação sistêmica da psique: os Sete Eu's.
O leitor é conduzido por uma investigação cirúrgica que inicia na matriz de inscrição fetal - onde o ambiente uterino e as cascatas hormonais cravam as primeiras cicatrizes do medo e do revide - e avança pela anatomia do livre-arbítrio. O texto disseca o estreito vácuo temporal em que a moralidade tenta, quase sempre em vão, vetar o instinto. Ao expor o conflito perene entre o Eu Vigia (a Razão lúcida que fabrica justificativas) e o Eu Caráter (a matriz silenciosa, o verdadeiro sobrevivente moldado no "primeiro lar"), o tratado revela como a máquina humana utiliza a sua inteligência superior apenas como uma ferramenta para assegurar as suas bios-fisiessidades.
Alicerçado na neurociência contemporânea, na etologia e na semiologia médica, o livro codifica a linguagem invisível do trauma somatizado (o Eu Sinal), o colapso do córtex pré-frontal sob estresse extremo e a engenharia psicológica por trás do Totem e do Tabu. Fica estabelecido que a barbárie, a dominação e a violência não são anomalias indecifráveis, mas sim o resultado etológico da "desconexão moral" de um organismo que busca afastar o pavor do desconhecido.
Denso, provocativo e fundamentado em evidências, este é um manual de leitura obrigatória para peritos, juristas, profissionais da saúde mental e todos aqueles dispostos a olhar diretamente para o abismo do comportamento: a perturbadora constatação de que, sob a máscara da civilidade, somos organismos orgânicos travando uma guerra ininterrupta pelo poder e pela sobrevivência.