A História oferece uma versão oficial e uma versão oculta. A diferença se encontra, simplesmente, debaixo de um microscópio.
Chamo-me Elena Remedis, e tenho um domínio feroz sobre o passado. As pessoas alegam que o resíduo de cola encontrado em livros antigos guarda uma chave - um segredo para destrancar uma história luminosa e obscura. Mas isso é a crença da multidão da terça-feira de manhã.
Quando encontro uma caixa como esta, não dedico poucos segundos. Esses segundos se viram num rastro físico profundamente inesquecível de crimes do século dezenove - um erro químico ou um erro da alma.
Quando arranco esse fio da verdade, não busco uma origem; puxo os álbuns de família, as ondas da rede, e a gênese do Rinascimento - de Leonardo aos sábios antigos - para salvar o saber humano da estupidez e do fogo.
Agora, em vez de saborear um café no meu ateliê, disparo pelos túneis sob Jerusalém e pelos canais de Veneza, perseguida por mercenários ninjas-gatos sem consciência e por uma fórmula complexa que se alinha com memória demais.
Todos eles cobiçam a chave que Maccini encontrou.
Se não decifrar a equação da luz a tempo, a escuridão vai tomar conta da partida.
Não é magia. É ciência proibida. E sou a única capaz de ler as letras miúdas.