Antes que a lei governasse os homens e antes que o silêncio cobrisse os templos, os deuses caminharam sobre a terra de barro e sangue. Nas margens do Tigre e do Eufrates nasceu uma visão do mundo em que a ordem devia ser imposta, o caos contido e a justiça temida para que a civilização pudesse sobreviver.
Esta obra reconstrói a Teogonia Mesopotâmica como um relato contínuo e épico, inspirado nas tabuletas sumérias e acádias, na Epopeia de Gilgamesh, nos hinos antigos e nos grandes mitos da criação. Anu, Enlil, Enki, Inanna, Marduk e Shamash emergem aqui com forma, vontade e propósito, entrelaçando seus destinos com o de uma humanidade frágil, limitada e consciente de seu fim.
Por meio de guerras divinas, pactos, castigos e revelações, o leitor assiste ao nascimento do cosmos, à instauração do poder, ao dilúvio, à queda do herói e ao afastamento progressivo dos deuses. Quando a voz divina se apaga, a lei ocupa seu lugar. O Código de Hammurabi surge integralmente como texto sagrado ditado pelo deus do Sol, culminando o mito com a pedra, o castigo e a ordem como pilares da sobrevivência humana.
Mais que um compêndio mitológico, este livro é uma narração solene sobre a origem da civilização, o preço da ordem e o legado que os deuses deixaram aos homens. Uma obra que une história, mito e filosofia em um único corpo narrativo, destinada àqueles que buscam compreender como o medo, a justiça e a memória sustentaram o mundo quando os deuses guardaram silêncio.